Milonguero de primeira viagem, e agora?

Milonga em La Catedral em Buenos Aires
Milonga em La Catedral em Buenos Aires

Chega o dia em que se decide experimentar uns primeiros passos e aí é todo um mistério. Bom, vamos tentar ajudar a desfazer esse mistério.

É bem comum conhecermos o tango pelos palcos, onde bailarinos e músicos fazem coisas quase inimagináveis. Mas podemos participar mais de perto nas pistas de dança. E, pra isso, não precisa mais do que um tango tocando e duas pessoas.

Milonga 

O tango é dançado em bailes, que se chamam milongas. Em Porto Alegre tem várias, toda semana, organizadas por diferentes pessoas (confira na Agenda). A entrada é aberta ao público, os ingressos podem ser comprados antecipadamente com desconto ou na hora e podemos reservar mesa ou só chegar. Na milonga se vai sozinho (sim!) ou acompanhado, tanto de nosso par, quanto de amigos. Pode dançar mas, se não quiser, pode só curtir a onda com os amigos.

Como toda festa, as pessoas se arrumam, mas não é nada especial. O importante é que a roupa seja muito confortável pra dançar e que os sapatos também sejam confortáveis, não caiam do pé (por isso o sapatos de dança femininos têm pulseira no tornozelo) e, de preferência, que deslizem com alguma facilidade no chão. Sim, queremos sapatos que não se fixem com rigidez no piso! Sola de borracha complica muito, prefira de couro.

Dá uma espiada numa milonga de Buenos Aires, La Viruta, pra ver como é.

A pista de dança

Na milonga, o salão está vazio no centro e tem mesas e cadeiras ao redor. Sempre tem um bar que serve bebidas e algum petisco, geralmente empanadas clássicas. Mas o bar não é tão usado, porque, embora um vinhozinho seja muito bem vindo, lá pelas tantas começa a atrapalhar. A pista da milonga tem uma coisa bem diferente da maioria das outras danças e festas. Ela gira! O casais dançam, sempre em fila, no sentido anti horário e a ultrapassagem não é bem vinda. Se o casal que está na frente parou, o de trás espera e só segue quando a fila andar. Dançar tango também é respeitar o outro na pista e uma das formas de respeitar é dar o tempo ao outro que ele precisa. Isso pode parecer muito complicado no começo, mas resolve muitas coisas depois.

Como funciona?

Durante a festa, todos podem dançar com todos, se quiserem. Geralmente o homem (ou quem conduz) convida, mas não é uma regra rígida. Tem várias maneiras de convidar, mas é sempre bom lembrar que é um convite, não uma obrigação, que pode ser negado, por várias razões.  É importante estar atento a quem parece estar querendo dançar e quem não parece interessado e, claro, demonstrar isso também.  Na dúvida, um convite discreto e claro não tem maiores riscos e confusões. Mas tem uma coisa importante. Costumamos dançar um tango inteiro, ao menos. Se as duas pessoas estavam dispostas a tentar juntas, então vão até o fim! E às vezes leva um tempo até duas pessoas que nem sempre se conhecem se entenderem dançando. A conversa fica pra quando acabar o tango. 😉 No vìdeo dá pra ver bem.

Os tangos são organizados em tandas, que são sequências de três ou quatro músicas. É costume quando um par começa a dançar uma tanda que dance junto toda ela. Mas não é uma regra rígida.  A tanda acaba quando toca outra música, de algum estilo bem diferente do tango, um jazz, samba, rock etc. Os casais se separam, geralmente o homem acompanha a mulher até sua mesa.

Escrevemos citando sempre homem e mulher, mas quem for a milongas em Porto Alegre vai notar, vez que outra, que as parejas nem sempre são assim.

Tudo isso pode parecer complicado, mas é bem simples, é só chegar na milonga, sentar e observar um pouco. Pra quem é de primeira viagem, acho bem importante lembrar que no tango estamos sempre experimentando, nunca se sabe como vai ser uma dança. Ela vai depender dos dois e não importa muito o quanto cada um já sabe, mas o quanto cada um está disposto a ter aquela conversa com o outro. Portanto, não importa o número de passos mais difíceis que um sabe fazer, importa que estejam dançando juntos, que cada um respeite o limite do outro. Se encontramos alguém assim na pista (e há várias pessoas assim) é maravilhoso.

Agora vão outras dicas mais práticas.
Aulas são sempre muito bem vindas. Você encontra uma lista de lugares em Porto Alegre pra começar a aprender ou para aperfeiçoar, caso já dance, no link Tango em Porto Alegre.

Dance muito! Dance em casa, faça aulas, vá às práticas, que são parecidas com as milongas, mas não são festa.  Está tudo na Agenda. Quanto mais se dança, mais se quer dançar porque sempre fica melhor.

Vá a lugares diferentes do tango. Ele é muito rico para vivermos em um só lugar.

Escute muito tango, o tempo todo. Não vai ser difícil, logo ele se torna uma preferência. A quantidade de tangos, de orquestras, de estilos é enorme, quase inimaginável. Se joga. No link Radios Tangueras tem várias opções.

E não estranhe se ao entrar no elevador ou na parada do ônibus começar a mexer as pernas fazendo uns arremedos de passos. Acontece sempre.

Aline Vianna

6 comentários em “Milonguero de primeira viagem, e agora?”

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