Buenos Aires: um pequeno guia pra se achar na cidade dos cem bairros

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Vai sair de férias ou aproveitar os feriados do verão e o destino do cartão de embarque é Ezeiza ou Aeroparque? Então dá uma olhada em algumas dicas que preparamos pra curtir Buenos Aires, que até praia tem!

A cidade oferece uma programação intensa e vale se organizar um pouco antes de ir, sem deixar de se levar pelo que aparece no meio da viagem, porque sempre é bom se surpreender. O roteiro turístico básico pra quem vai pela primeira vez é ótimo para ser ter uma noção do que é Buenos Aires e inclui pontos turísticos clássicos como os prédios no entorno da Plaza de Mayo, passeios pelos bairros San Telmo, Boca, Retiro, Recoleta e Palermo. Além das visitas a museus, feiras, parques e prédios históricos, a agenda cultural é enorme, com teatro, música, cinema, dança e festivais. O ônibus turístico é excelente para dar uma primeira circulada e se alcançar um panorama geral da cidade. Alguns bairros também têm uma vida noturna agitada, com bares com mesas na calçada e clubes para se aprofundar na noite. Dependendo do que você quiser fazer, o turno da manhã terá que ser cancelado e adeus café da manhã do hotel. Então vamos por partes.

Onde ficar

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É bom levar em conta o que você pretende fazer na cidade ao escolher o tipo de lugar para se hospedar e a localização. As opções mais comuns são hotéis e hostels, mas apartamentos para aluguel são mais baratos. Então, se a intenção é economizar e ficar independente, alugar um apartamento pode ser uma ótima opção. O Airbnb é uma das alternativas. Outra é a For Rent Argentina, que sempre nos garantiu a sensação de estar em casa por lá.

Ficar no Centro facilita pra visitar a maioria dos pontos turísticos, pois boa parte fica no entorno e se pode ir a pé, e também para se deslocar para outros pontos da cidade. Mas, se a ideia é ficar num bairro mais tranquilo e com opções noturnas e diurnas, vale dar uma conferida em San Telmo e Palermo.

Como se deslocar

A melhor forma de conhecer BsAs é caminhando. É uma cidade plana e com traçado fácil. As ruas são bem longas e atravessam de norte a sul ou de leste a oeste. De norte a sul elas mudam de nome quando cruzam a Avenida Rivadavia. Obviamente, ter um mapa em mãos é bem útil. Este é uma ótima opção, pois funciona também offline.

Além de caminhar muito, vale usar o subte (metrô), que tem sete linhas, e os ônibus, que são uma bênção para o bolso e ainda permitem descobrir a cidade. Quando você se acostuma a usá-los, percebe que o táxi é quase dispensável. Um app ótimo é o Cómo Llego, que facilita muito estes deslocamentos e fornece vários trajetos combinados com as opções de transportes públicos. Algumas empresas oferecem o serviço de remis, como a imobiliária que utilizamos, para vir do aeroporto para a cidade. É um tipo de transporte que pode ser contratado à parte para qualquer ocasião, mas é desnecessário para o cotidiano na cidade.

O transporte público lá é extremamente barato e os táxis saem mais em conta que em Porto Alegre, por exemplo, mas são muito mais caros que subte ou ônibus. Em novembro de 2015, uma passagem de subte estava 5 pesos e a de ônibus saía por volta 3,50 (varia conforme o destino, que você precisa avisar ao motorista quando embarca). Ir do Centro a Palermo de táxi pode custar por volta de 100 pesos, enquanto de subte ou de ônibus pode ser uns 5. Para tomar táxi, o melhor é já ter o dinheiro em notas menores pra pagar.

A passagem do subte é comprada nas estações, mas o melhor é fazer uma Tarjeta SUBE, que pode ser obtida em qualquer lotérica de forma rápida e vai valer para os ônibus, que só aceitam pagamento na Tarjeta ou em moedas. E você não vai encontrar moedas em Buenos Aires.

Um jeito divertidíssimo de conhecer a cidade é de bici. Eles possuem um sistema de retirada de bicicletas públicas, o EcoBici, além de uma rede de ciclovias e ciclofaixas bem eficiente. Infelizmente o sistema nem sempre funciona tão bem. Na última viagem não encontramos bicicletas nos pontos, mas já aproveitamos bastante em outras vezes. Particularmente, acho o trânsito de lá mais amigável do que o de Porto Alegre, simplesmente porque os motoristas respeitam a preferência dos pedestres e ciclistas. Mas cuidado: somente quando estes têm a preferência, não significa que a gente possa se atirar na frente dos carros!

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Informações gerais

Pra saber do que rola na cidade o ano todo, tem canais bem bons que costumamos acompanhar. O próprio governo disponibiliza alguns, como o Agenda Cultural, o Turismo Buenos Aires, Festivales de Buenos Aires, Bares Notables, Ministerio de Cultura de la Ciudad de Buenos Aires.

Para a programação de shows e festas, vale conferir o Vuenoz. Outros dois sitios que gostamos muito são o Aires Buenos e o Aquí me quedo, ambos com ótimas dicas.

Onde comer

Viajar é experimentar também o que as pessoas comem. Então, esqueça o arroz, o bife, o ovo frito, o feijão e o sal (sim, eles usam pouco sal, principalmente na carne). Cerveja gelada também é raro, mas os vinhos são maravilhosos e baratos. Um bom assado na parrilla, empanadas, milanesas, massas, pizzas, picadas, sandwiches de miga, medialunas, alfajores, flan, muito sorvete e doce de leite. Choripan, humitas, locro, matambre, provoleta, tartas, hamburguesas, muitos cafés. Ufa. A lista é grande. Geralmente, o pedido é feito a la carte, mas tem algumas opções, principalmente no Centro, de tenedor libre, como eles chamam o buffet. O Guía Oleo tem boas avaliações e o Aires Buenos está sempre indicando novos lugares. E, como Buenos Aires é uma metrópole, não faltam restaurantes do mundo todo, que você encontra mesmo sem pesquisar.

Um tipo de passeio legal de fazer é conhecer os Bares Notables, porque além de envolver comida e serem lindos, ajudam a desbravar Buenos Aires, pois estão espalhados por toda a cidade.

Os preços não são muito diferentes do Brasil, o que pode tornar a viagem meio cara com duas refeições na rua por dia. Então, dar uma passada em um mercado e fazer alguma comida no apartamento ou ir a restaurantes mais simples (é fácil de encontrar, pois geralmente não têm turistas) pode ser bem econômico.

E o tango?

Bem, como o tango, além de um gênero musical, é uma dança de salão, um bom lugar pra conhecer ele é justamente num salão, onde acontecem os bailes, chamados de milonga. Pra quem nunca foi, vale ir à Confiteria Ideal (tradicionalíssima), ou à Maldita / Bendita Milonga, ou no La Viruta. Antes do baile sempre tem uma aula, que todo mundo pode fazer, mesmo que nunca tenha dançado. Às vezes tem apresentação de orquestras de tango ao vivo e de bailarinos profissionais.

Se a intenção é assistir tango nos palcos, tem duas maneiras. Uma é nas casas de tango que oferecem Cena Show (jantar seguido de show). A base da dança é a mesma, mas preparada como um espetáculo. A diferença entre as milongas e os shows é mais ou menos como pular um carnaval ou assistir os desfiles das escolas de samba. Cada um tem sua beleza e depende do gosto de cada um (e do bolso, pois os shows são bem caros). Mas cair com o pé na dança tem um gostinho especial, e todo mundo pode 😉

Aqui e aqui você encontra algumas opções de shows.

Também tem tango em Teatros, como no Centro Cultural Borges. Pra saber de outros espetáculos, consulte as programações nos jornais da cidade, como o Clarín e o La Nacion.

Pra quem quer ir mais a fundo no tango e dançar mais, é só pesquisar em algum guia de milongas, como o Hoy Milonga e o Punto Tango. No Facebook tem um grupo com todo tipo de informação que pode interessar aos milongueros de plantão. E contamos sobre nossa última ida a algumas milongas aqui e aqui.

A programação musical de tango também é facilmente encontrada nos canais que já indicamos.

Bem, a cidade não tem cem bairros, como contam alguns argentinos, mas cada bairro é um mundo à parte. Boa viagem!

Aline Vianna

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