La vida es una milonga (ou sobre os códigos)

milonga pista tango city
Gran Milonga de Cierre del Tango Buenos Aires Festival y Mundial. Foto: Tango City

… y hay que saberla bailar

No início, dançar tango pode parecer meio difícil e cheio de segredos, que os professores vão nos ajudando a desvendar. Todo mundo aprende e todo mundo dança, não tem maior mistério e com o tempo vamos descobrindo que é uma dança extremamente livre, com uma regrinha básica, que é da vida: a nossa liberdade existe porque existe o outro e respeitar seu espaço é o que nos torna livres.

Pois bem, no baile há o que chamamos de códigos do tango (ou da milonga). Uma busca rápida na internet enumera vários deles, então não vamos fazer isso aqui, mas falar de algumas situações que podem acabar desandando a festa.

En esta milonga lo unico autolimpiante es el gato

Porto Alegre é uma cidade quente e úmida boa parte do ano, com dias de consistência de pudim. Isso não combina muito com estar abraçado em alguém por quase quinze minutos, pelo menos não numa pista de dança. Então, pra ir milonguear vale um cuidado especial com o antes, com uma higiene pessoal básica caprichada pra segurar pelo menos umas duas horas de tango. Vamos suar e isso não tem jeito, pelo menos pra maioria das pessoas “normais”. A escolha da roupa é fácil. Que seja leve, que permita dançar e seja confortável. Para mulheres, vestidos muito curtos, justos ou rodados podem virar uma dor de cabeça, assim como tecidos sem elasticidade. E muito compridos podem enrolar nos sapatos e causar acidentes. Na altura da canela já é arriscado. Pra homens, roupa muito justa também atrapalha, ou roupa demais. Mas depende do gosto de cada um. Levar uma camisa reserva pode ser uma opção.

gato banho

Na falta de placas, respeite o código de trânsito (da milonga)

Na pista, cada pessoa tem seu espaço, que pode ser bem pequeno, dependendo se está cheia ou não. Entrar num ônibus lotado nos exige calma e que se espere que a pessoa da frente ande primeiro. Em geral fazemos isso dançando também, assim como não paramos no meio do caminho sem nos importarmos com quem vem atrás. Não é uma regra restrita ao tango, mas de convívio. No baile, os casais dançam em sentido circular anti-horário, em filas concêntricas. É um fluxo que permite que cada um tenha seu espaço garantido e que use de toda sua liberdade de dançar nele. Pequenos esbarrões acontecem e são normais, mas se pudermos evitar surpresas, melhor. Ah, e se não quiser provocar o caos, não ande na contramão.

transito

O tango é a única voz da pista

O tanguero considera sagrado o espaço da pista, não só o físico, mas também o acústico. Estamos ali pra dançar e isso pressupõe escutar bem a música. É ótimo conversar com os amigos que encontramos a cada milonga, mas cada tango que toca é soberano. Podemos deixar pra conversar entre um tango e outro ou depois, tomando um vinho. Quando às vezes o papo esquenta, que não seja nada que soe mais alto que Trasnochando ou qualquer outro. Alguns tangos são cantados e dá gosto cantar junto. Mas a pista de baile tem uma aura qualquer que é difícil de descrever, que conecta cada pessoa a seu par e às outras que estão ao lado e à música. Uma outra voz ali rompe com a magia que paira. É mais ou menos como gente conversando no cinema. Não dá.

cinema monica

Tem hora pra tudo

Um quarto ponto pode ser controverso. Aprendemos tango, tanto o baile quanto outros aspectos da cultura, compartilhando com os amigos e colegas, nas aulas e práticas. O tango não se aprende sozinho. Embora momentos de estudo, de leitura, assistir vídeos ou filmes, ouvir música e viajar façam parte, é na troca que se aprende. Mas isso não significa que, quando vamos à festa, possamos ensinar ou corrigir a outra pessoa. Nunca se faz isso na vida, porque se faria no tango?

lemure

É bem simples, enfim, festa é festa em qualquer lugar. Escorregão todo mundo dá, é claro. Se os códigos existem, que seja apenas pra marcar que estamos ali tangueando pra nos encontrarmos com o outro, e que este é nosso norte.

E fique à vontade com a caixa de comentários. 😉

3 comentários em “La vida es una milonga (ou sobre os códigos)”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s