Mulheres do tango

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As mulheres estão presentes no tango desde muito cedo, através do desempenho das primeiras bailarinas, anônimas, e nas letras de quase todas as músicas. Assunto controverso, uma vez que são letras feitas por homens e do ponto de vista masculino, para mulheres que geralmente são mães santificadas, mulheres desejadas e responsáveis por decepções amorosas. São quase sempre idealizadas, letras datadas em outro contexto histórico. De toda forma, são poesias de homens dedicadas a seus amores. Talvez as mulheres não reneguem essa dedicatória (mesmo que algumas letras revelem, na sua interpretação literal, um ponto de vista nitidamente machista). Mas elas não se contentaram com a função de meras personagens e desde muito cedo decidiram ser protagonistas. Em uma sociedade onde só o homem parecia ter voz, algumas se levantaram e subiram aos palcos para se fazerem ouvir já no início do século XX.

Entre as pioneiras estão as cantoras e intérpretes Azucena Maizani, Ada Falcón, Mercedes Simone, Libertad Lamarque, Tita Merello e Nelly Omar, que podemos ouvir apenas em gravações. As décadas seguintes foram marcadas de forma expressiva por mulheres que continuam nos falando diretamente desde o ponto mais alto do cenário artístico, como Eladia Blázquez (que morreu há pouco), Susana Rinaldi, Amelita Baltar, Adriana Varela, María Graña, Lidia Borda, Soledad Villamil, Dolores Solá, Eliana Sosa, Noelia Moncada e as uruguaias Gabriela Morgare , Malena Muyala e Francis Andreu, entre outras vozes femininas que se habituaram a dominar os palcos.

Lidia Borda, no documentário La mujer en el tango, defende que, apesar de muitas letras serem escritas desde um ponto de vista masculino, tratam mais de sentimentos e de sensações que ela considera universais. Outro documentário que conta a relação da mulher com o tango é Mina que fue, que lembra algumas letras e protagonistas, de ontem e de hoje, e tem uma entrevista com Adriana Varela que vale muito ouvir.

Selecionamos alguns tangos clássicos interpretados por estas mulheres incríveis que continuam pisando firme no compasso para seguir o caminho aberto pelas pioneiras.

Aline Vianna

Susana Rinaldi
Malena

Amelita Baltar
Gricel

Adriana Valera
Malevaje

María Graña
Nada

Lidia Borda
Vida Mía

Soledad Villamil
Se dice de mí

Dolores Solá
Confesión

Eliana Sosa
Desde el Alma

Noelia Moncada
Garúa

Gabriela Morgare
Flor de Lino

Malena Muyala
Los Mareados

Francis Andreu
Pasional

6 comentários em “Mulheres do tango”

    1. Olá Gabriela, utilizamos para escrever leituras que vão se acumulando com o tempo. Entre elas, destacamos o site Todo Tango (http://www.todotango.com/), o livro Tango. La mezcla milagrosa, de Carlos Mina e o livro Tango y política. Sexo, moral burguesa y revolución en Argentina de Gustavo Varela. Também pesquisamos em documentários, como os citados no texto, e em textos e entrevistas públicas, como algumas super interessantes do La Nación.

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      1. Muito obrigada, tem algum livro em especial sobre a atuação das mulheres no tango para me indicar? Como como começaram a serem introduzidas e aceitas na dança e na música?

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      2. Oi Gabriela, livro específico não sabemos te dizer, mas o do Gustavo Varela aborda um pouco isso, pois faz uma análise socio-histórica do surgimento e da consolidação do tango, o que inclui as mulheres, embora não se dedique exclusivamente ao tema. Tem um capítulo sobre o La mujer en el tango, mas em outras partes já aborda, como no início, por uma questão de fatos históricos, seu livro começa com Sexualidade y prostituición. Ele tem também outro livro, Mal de tango, mas este não li. É possível baixar no link: http://www.academia.edu/4484859/Mal_de_tango._Historia_y_genealog%C3%ADa_moral_de_la_m%C3%BAsica_ciudadana._Paid%C3%B3s_2005
        Já o outro livro que te havia comentado, Tango, la mezcla milagrosa, se detém bem mais no conteúdo das letras de tango, tem várias partes sobre as mulheres. Busca traçar uma análise entre os conteúdos das letras e a época histórica delas. Outro que não é analítico, mas biográfico e de uma época mais recente é a biografia de Juan Carlos Copes (Quién Me Quita lo Bailado). Fala muito da relação dele (claro, um caso individual) com as mulheres, especialmente com sua principal companheira, mas também há relatos dela sobre uma outra época. É interessante. Se lembrar de mais alguma coisa te mando. Abraços! Aline Vianna

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