Horacio Ferrer: El Duende de Buenos Aires

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O que acontece em uma cidade ou fica na história privada de seus habitantes, em suas memórias e no que se transmite de pais a filhos, ou, algumas vezes, chega nos jornais, que o tempo silencia. Alguns acontecimentos chegam aos livros de história que se dedicam a registrar e dar suas versões. Mas outras histórias dos personagens urbanos são escritas pelos poetas, que mantêm sempre viva aquela vida íntima que torna a cidade o que ela é.

Se podemos dar outros sentidos e outros matizes à nossa história, de vida e de povo, certamente um meio são as letras daqueles que capturam atmosferas e personagens com a liberdade que foge ao factual. Mas nossa história está ali escrita, reinventada por quem canta seu tempo.

Horacio Ferrer foi um poeta e historiador, duas formas de fazer memória de seu tempo, imortalizado personagem de sua própria obra, nascido em Montevideo e vivido nas margens do Rio da Prata. El Duende se sua cidade e obra, que são a mesma coisa. Filho de pai uruguaio, também historiador, e mãe argentina, amante da poesia, atravessou fronteiras na forma de cantar a essas cidades, especialmente sua pátria adotada. Foi jornalista do El País, secretario da Universidad de la República (no Uruguai), estudou arquitetura, foi poeta, cantou, criou óperas, criou a Biblioteca del Tango, a Academia Nacional del Tango e o Museo Mundial del Tango. Teve programas de rádio e revista, escreveu o Libro del tango: arte popular de Buenos Aires (3 tomos em mais de duas mil páginas). Entre tantas criações, foi o arquiteto de um novo tango que surgia, com ele, nos anos 70, e talvez de uma cidade.

Com 34 anos, saudado por outros personagens de Buenos Aires, já consagrados, deixou sua cidade e sua vida, que estava por assim dizer estável, e partiu sem destino certo ao Porto de Buenos Aires, onde ficou até o dia em que voltou ao Río de La Plata, depois de sua morte. Construiu uma parceria sólida com Astor Piazzolla e, através do bandoneón e da pena, tornaram-se um.

Cantou uma cidade que percebia cheia de contradições e duplicidades, uma cidade com nome de mulher, María (Santa María del Buen Aire), a quem dedicou sua ópera, que renasce de si mesma e que atordoa e apaixona a todos. Uma cidade de personagens teatrais onde o louco canta o amor e a liberdade nas calçadas e nas beiras dos telhados.

Horacio Ferrer, nascido em 02 de junho de 1933, criou poesias para o fim século XX que, inovadoras em seu surrealismo e nas recitações, talvez façam crônica de uma época que em alguns momentos, de fato, parece não ter muita ligação com a realidade e que encontra na loucura da poesia outros sentidos.

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