Uma charla com Juliano Andrade e Paula Emerick

Foto: arquivo de Juliano Andrade e Paula Emerick
Foto: arquivo de Juliano Andrade e Paula Emerick

Juliano Andrade e Paula Emerick são bailarinos e professores de tango residentes em Brasília. Este ano, levaram o Brasil às semifinais de Tango de Pista e de Tango Escenario no Mundial de Tango de Buenos Aires e têm viajado pelo país e pelo mundo compartilhando sua paixão com outros tangueiros. Já estiveram em Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Holanda, França e Buenos Aires, em diferentes eventos, como congressos e festivais de tango e milongas, ministrando aulas ou realizando apresentações.

Neste mês, pela primeira eles vêm a Porto Alegre, a convite de Mariana Casagrande e Daniel Oviedo, da Tche Tango, para o Tango Week. Nos dias 28 e 29 de outubro vão realizar aulas sobre diferentes temas no tango, sendo que no último dia se apresentam na Pratilonga. Convidamos a pareja para uma charla, que está buenísima.

Como o tango entrou na vida de vocês?
Juliano: Minhas primeiras experiências com dança foram no Colégio Marista, no ano de 1987. Dois anos depois, procurei uma escola de dança de salão próxima a minha casa, que por casualidade se chamava “Lê Tangô Academia” e oferecia aulas de tango, entre outros ritmos. Em 1995 fiz minha primeira viagem para Buenos Aires, onde tive a oportunidade de fazer aula com grandes maestros, como Pepito Avellaneda y Suzuki, “El Tete” Rusconi e Nelson y  Nelida. Já tive academia de dança em que ensinava vários outros ritmos e dancei em companhia de ballet clássico, mas o tango sempre foi uma paixão e sempre permeou minha história na dança. Desde que formei parceria com a Paula, decidimos nos focar somente no tango.
Paula: Durante minha infância morei no interior de Goiás e participava de uns festivais de dança que aconteciam na região. Duas coreografias me chamavam particularmente a atenção: uma de dança árabe e outra de tango, das quais só podiam participar meninas mais velhas do que eu, já adolescentes. Anos depois, já morando em Goiânia, busquei uma escola de dança de salão. Na primeira aula, perguntei ao professor se ele também ensinava tango e ele disse que não. Fiquei envolvida então com os outros ritmos, mas depois comecei com o tango, quando foi aberta uma turma com outro professor na mesma escola. Depois, com o Juliano, não demorou nada para que passássemos a nos dedicar exclusivamente à nossa paixão em comum.

Foto: arquivo de Juliano Andrade e Paula Emerick
Foto: arquivo de Juliano Andrade e Paula Emerick

Quais projetos vocês têm desenvolvido nos últimos anos?
Começamos nossa parceria há pouco mais de seis anos e, desde então, tivemos a felicidade de estar envolvidos em vários projetos dos quais nos orgulhamos. Viajamos bastante pelo Brasil para dar aulas e fazer apresentações, o que nos deu a oportunidade de conhecer comunidades tangueiras de diversas cidades, nos estados de Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Agora vamos ter o prazer de estar com os tangueiros de Porto Alegre e região e estamos muito felizes com isso.
Já nos apresentamos em prestigiosas milongas de Buenos Aires; demos uma aula na antiga Escuela Argentina de Tango, também em Buenos Aires; fizemos diversas apresentações e demos aulas a convite da Embaixada Argentina no Brasil; fizemos turnê pela Europa (Holanda e França); participamos em festivais de tango no Brasil (UdiTango, II Congresso Brasileiro de Tango, I BH Tango, III Congresso Brasileiro de Tango); fizemos uma participação no show do Esteban Morgado Cuarteto na última Bienal de Tango de Florianópolis.
Em Brasília, onde moramos, além de darmos aulas, organizamos mensalmente a Milonga “Al Compás del Corazón” e já promovemos sete edições do evento “Encuentro Tanguero”, em que convidamos profissionais de tango brasileiros e argentinos para oferecer workshops na cidade.
Um dos nossos grandes projetos é nossa participação no Mundial de Tango de Buenos Aires. No ano de 2015, fomos semifinalistas pela primeira vez, na categoria Tango de Pista. Em 2016, fomos semifinalistas nas duas categorias da competição. E vamos sempre por mais!


O Mundial de Tango de BA é a competição de maior amplitude em termos de participação e divulgação do tango. Como vocês percebem o Festival e Mundial hoje?
Do ponto de vista do público, acreditamos ser o maior e mais interessante espetáculo de tango do mundo. Além da competição, que, por si só, é incrível de assistir, o Festival contempla recitais, espetáculos, aulas, feira de produtos, entre outras coisas.
Não só as atividades do festival são maravilhosas, como parece que toda a cidade respira ainda mais tango no mês de agosto. As milongas ficam lindas, com uma atmosfera muito própria dessa época do ano, já que é como se estivessem cheias de pessoas que acabaram de chegar em casa depois de muito tempo longe. E isso vale não só para os argentinos que moram fora ou que passam a maior parte do ano fora trabalhando, mas também para os estrangeiros, como nós, que amam tudo aquilo lá.
De uma perspectiva profissional, participar do Mundial é, antes de tudo, uma oportunidade de crescimento. Nem sempre é fácil manter uma rotina de ensaios, ter disciplina para seguir buscando, por mais apaixonado que você seja pelo ritmo. Competir no Mundial te impulsiona a isso. E é impressionante como sentimos essa evolução acontecer conosco e ver o mesmo em outros bailarinos que participam da competição.
Além disso, participar do Mundial é uma experiência única, que nenhum outro palco oferece igual. A troca de experiências entre os bailarinos é incrível e hoje nos sentimos parte de um grupo, que está crescendo junto, de parejas de todo o mundo que se admiram, se respeitam, se ajudam e torcem uns pelos outros.
Só para terminar, também vemos o Mundial como a maior vitrine de bailarinos de tango do mundo. É impressionante como, por causa dele, conhecemos tangueiros de todas as partes e somos conhecidos por tantos outros que nem imaginamos.

O tango vive um novo momento de crescimento, tanto em Buenos Aires quanto em outros lugares do mundo e também de inovações. Há diferenças de como ele é vivido em sua capital e nas demais cidades? O que vocês destacariam deste novo momento?
Como dissemos antes, tivemos a oportunidade de conhecer comunidades tangueiras de diferentes partes do Brasil e algumas no mundo. Em cada lugar é diferente. Ainda não conhecemos nada parecido com a cena de Buenos Aires, mas parece normal que seja assim. No Brasil, por exemplo, há comunidades com muito mais tempo de história do que outras e isso reflete no nível geral de baile, na quantidade de adeptos, nas milongas, nos profissionais e nos eventos. Não quer dizer que um profissional seja melhor ou pior que o outro pela origem. Estamos, claro, falando em termos gerais, de como a história interferiu na formação de cada comunidade.
Brasília, por exemplo, comparando a outras cidades brasileiras, está no meio do caminho: já vem sendo trilhada uma história há muitos anos, mas ainda há muito potencial para o desenvolvimento do tango na capital. Estamos percebendo que o tango aqui está crescendo cada vez mais, com novos adeptos, novos profissionais e antigos profissionais também engajados, aumento do número de milongas, etc. É claro que uma grande mudança leva tempo, mas existe essa consciência que o que foi feito há anos reflete hoje e o que está sendo feito agora irá continuar refletindo um bom tempo até que dê os resultados esperados.
Quanto à segunda pergunta, um movimento muito bacana que estamos observando e queremos destacar é a maior integração entre as diversas comunidades tangueiras do Brasil. As dimensões continentais do nosso País talvez tenha dificultado o desenvolvimento do tango com a mesma intensidade que aconteceu em outros lugares. Mas se nos juntamos, somos muitos e somos fortes. E isso tem acontecido, por exemplo, na internet e em festivais, com destaque para o Congresso Brasileiro de Tango no qual inclusive houve uma mesa redonda pra discutir o tango no Brasil.

Vocês têm novos projetos que queiram adiantar?
Bom, temos o antigo projeto, que segue muito atual, de competir no Mundial de Tango.
Recentemente, gravamos um vídeo, em que dançamos Primavera Porteña tocada no violão solo, convite de Julio Lemos, um incrível músico goiano. Em breve o vídeo deve sair.
Além disso, estamos fechando datas de compromissos para o próximo ano, que incluem, além de viagens pelo Brasil, nossa segunda turnê na Europa. No segundo semestre do ano que vem, devemos participar de um espetáculo (não sabemos se podemos falar muito ainda), para o qual foi uma honra termos sido convidados, já que seremos dirigidos por um referente do tango.
Para acompanhar nossa agenda e projetos, convidamos todos a conhecer e curtir nossa fanpage no facebook: www.facebook.com/tango.juliano.paula

Que recado vocês deixam para os tangueiros?
Primeiro, queremos agradecer à Aline a à equipe do Blog Tango 30 por nos fazer esse convite para falar sobre tango e sobre nossa carreira.
Aos tangueiros de Porto Alegre e região, esperamos vê-los todos nos dias 28 e 29 deste mês, em que estaremos com aulas e shows a convite da Tche Tango, dos nossos queridos amigos e grandes bailarinos Daniel Oviedo e Mariana Casagrande. Vão ser dois dias incríveis e para nós será um prazer compartilhar um pouco da nossa experiência e muito dos nossos abraços.
Aos tangueiros de outras partes, esperamos estar em breve com cada um de vocês em uma aula, em um show ou em uma milonga em algum canto do Brasil.
Abraços nossos,
Juliano e Paula

Foto: arquivo de Juliano Andrade e Paula Emerick
Foto: arquivo de Juliano Andrade e Paula Emerick

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