Yo soy así, Tita de Buenos Aires

titEntre os vários ícones da cultura popular argentina, Tita Merello tem um lugar especial. Nascida em condições de extrema pobreza no bairro de San Telmo, nunca frequentou a escola, forjou seu talento na rua e  se tornou uma das maiores personagens da história do tango (e do cinema argentino). Sua trajetória será contada na tela grande com o filme Yo soy así, Tita de Buenos Aires, dirigido por Teresa Costantini, que começou a ser rodado no final de outubro e tem estreia prevista para 2017.

No Salón Mujeres Argentinas, da Casa Rosada, o retrato de Tita Merello está em destaque, junto de personalidades como Evita Perón e Victoria Ocampo. Não é para menos. Foram cerca de sete décadas de contribuição marcante no cenário cultural porteño, em seus 98 anos de vida (1904-2002). Desde o início, como cantante nos teatros e cabarés mais simples de Buenos Aires até a maturidade, quando já era reconhecida pelo talento e havia se tornado um símbolo popular. Para muitos, Tita não era uma intérprete de tango, mas uma atriz que cantava. Ao longo de sua vida, fez mais de trinta filmes, incluindo Tango!, o primeiro do cinema falado argentino, junto com Libertad Lamarque.

Sua vida artística originou-se na necessidade. Como ela mesma dizia, começou a cantar não pelo talento, mas por fome. Destacou-se como uma das primeiras cantoras de tango da história e, já na década de 1920, sua voz rasgava a noite porteña e causava espanto pelo estilo inconfundível: áspero, sarcástico e atrevido. Se dice de mí, La milonga y yo e Arrabalera entraram para a história da música popular argentina. Tão perceptível quanto o talento era a personalidade determinada e independente, herança de uma infância sem conforto, afeto ou regalias. Sobre ela, o biógrafo Nelson Romano escreveu: “Jamais passou por um conservatório de artes cênicas, nem educou a voz em uma escola de canto. Simplesmente se formou na rua. Sem ajuda de ninguém, na força do talento e da vontade”.


O filme de Teresa Costantini traz Mercedes Funes no papel de Tita e Damián De Santo interpretando Luis Sandrini, um dos atores cômicos mais populares da Argentina, com o qual Merello foi casada, relação que terminou de forma traumática para La Morocha. O roteiro abarca a infância pobre, a relação com a mãe, que precisou deixá-la num asilo aos cinco anos de idade, e a maturidade como artista, na década de 1950. O filme será todo rodado em Buenos Aires, cidade que não seria a mesma sem Tita Merello e na qual ela fez questão de permanecer durante toda a vida.

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