La Milonga del Viernes: dois anos a puro tango


La Milonga del Viernes
está completando dois anos e, para comemorar, conversamos com Marco Peralta, professor de tango e organizador da milonga que acontece sempre em uma sexta feira de cada mês no Kirinus e Nunes Centro de Dança. Confere abaixo a conversa, que ficou bem legal.

Tango 30: Como é possível avaliar estes dois primeiros anos da Milonga de Viernes? Algum momento especial que gostarias de destacar?

Marco Peralta: A proposta de realizar uma Milonga chegou num momento de carência de bailes de tango em Porto Alegre e a necessidade de colocar nossos alunos em contato com a cultura da Milonga, seu formato, seus códigos. E a comunidade tanguera nos acolheu muito bem. Pela estrutura que a Kirinus tem, hoje contando com quatro salas, conseguimos conciliar o tango e outros ritmos da dança de salão, movimentando bem a última sexta do mês! La Milonga del Viernes tem dois momentos bem marcantes nestes dois anos de existência: uma homenagem a Valentin Cruz e Marlise Machado, com show desses grandes maestros e dos músicos Pablo Valentin e Vinicius Flores, em outubro de 2015. E o aniversário de um ano da Milonga, com apresentação dos músicos Carlittos Magallanes e Maurício Marques, quando me apresentei com uma grande amiga, bailarina e parceira, Débora Carminatti. Foi um momento muito especial!

Tango 30: Como tu costumas pensar a musicalização das milongas que organizas?
Marco Peralta: Musicalizar uma milonga não é fácil. Precisa ter conhecimento, estudar as orquestras, estudar as milongas de Buenos Aires e adaptar para que não se torne apenas uma “imitação” do que já existe. Sempre imaginei unir o clássico ao atual. É importante conhecer as orquestras antigas, suas diferenças, a personalidade de cada uma, mas também reconhecer que existem orquestras atuais de qualidade incrível. Tento cuidar para que as tandas sejam distintas, com variações de estilos, da suavidade de Fresedo e Di Sarli, passando pela complexidade de Pugliese e Troilo, a energia de D’arienzo, a alegria de Tanturi e Castillo, mas adicionando a modernidade e vitalidade de orquestras como Sexteto Milonguero, Color Tango, Solo Tango, Forever Tango, o toque eletrônico de Otros Aires e Tanghetto. E, claro, a sonoridade maravilhosa de Esteban Morgado.

Tango 30: Como tu observas o momento do tango em Porto Alegre?
Marco Peralta: Vejo muitos movimentos tangueros crescendo, outros surgindo. Com um número bem expressivo de milongas e práticas, Porto Alegre parece viver um momento de renovação no tango. Mas precisamos atingir um público maior, que participe mais dessas atividades, que se interesse em aprender não somente a dança, mas também conhecer a história e cultura tanguera. Fazer retornar eventos como o Festival Internacional de Tango de Porto Alegre (realizado pela Tanguera Estudio de Danza do maestro Valentin Cruz junto com Marlise Machado) à agenda cultural da cidade. Gostaria de ver uma Orquestra de Tango de Porto Alegre, quem sabe? Já se desenvolvem duos, trios e quartetos pela cidade, seria um grande avanço!

Débora Carminatti e Marco Peralta

Tango 30: Na tua experiência como professor de tango, que mudanças tu percebes na vida das pessoas depois que elas se dedicam a bailar?
Marco Peralta: É muito interessante perceber a mudança que a dança, especialmente falando do tango, pode fazer na vida de alguém, pois vai além da dança em si. Traz uma forma diferente de se relacionar com os outros: a gentileza, a entrega nos braços de quem às vezes pouco se conhece, novas amizades e o fortalecimento de antigas, grupos que se reúnem mesmo fora das milongas, a busca pela cultura. Vejo alunos que ao preparar uma viagem me perguntam “será que tem tango lá?”
E algumas dicas para aqueles que querem ingressar no tango: deixem fluir, tenham calma, paciência, dedicação. Vejo muitas pessoas fazendo uma ou duas aulas e dizendo “tango não é pra mim”. Quem sabe se investir um pouco mais de tempo, deixar passar um ou dois meses de aula regular ou investir em aula particular? Participar das práticas que atualmente se espalham pela cidade toda a semana. Se permita acreditar mais na sua própria capacidade. O tango te espera!

Tango 30: Conte um pouco da tua trajetória no tango. O que te levou a começar?
Marco Peralta: Em 2005 ingressei na dança de salão na antiga Casa de Dança e, como muitos alunos, numa aula experimental. Mas o gosto pelo tango chegou um tempo depois, quando assisti meus mestres Edson Nunes e Alexandra Kirinus realizando uma apresentação num palco improvisado na rua, num bar (não me recordo o nome) no Moinhos. Lembro de não conseguir tirar os olhos deles, com movimentos tão precisos, uma sintonia sem igual. Então comecei a frequentar as aulas de tango e com a turma já em andamento, precisei correr muito atrás. Depois de muitas visitas rápidas a BsAs, em 2013 fiz uma imersão de dois meses na cidade portenha, no bairro de San Telmo, com uma grande amiga, incentivadora e parceira, a Júlia Estelita, tentando absorver o conhecimento de tantos maestros e vivenciando o estilo de vida portenho. Em 2014, o Kirinus e Nunes Centro de Dança foi convidado a participar do Dança Porto Alegre, onde apresentamos meu primeiro trabalho como coreógrafo junto a outros professores da escola. Momento importante que lembro com muito carinho. Vieram então os Cursos de Tango nas manhãs aos sábados, onde consegui organizar e expor melhor o conhecimento adquirido nesses anos. E aqui aproveito para agradecer a todos que participam e já participaram, pois esse grupo é muito divertido e interessado, de uma qualidade fantástica! Verdadeiros responsáveis pelo sucesso dos cursos. Um grande momento dessa trajetória no tango foi a linda parceria com a bailarina e professora Débora Carminatti (atualmente residindo em BsAs) que resultou em nossa participação na Preliminar Rio de Janeiro do Mundial de Tango de BsAs, em 2016. Em 2015, a realização de uma ideia que rondava meus pensamentos há muito tempo: uma milonga. Com intuito de oferecer uma nova opção para os tangueros e para os alunos da escola, e após alguns ajustes com a direção da escola, a definição da data, o formato, nasceu La Milonga del Viernes.

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