Quilombo, um disco de murgas ao estilo Astillero

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Uma das referências do tango contemporâneo, o grupo Astillero está com disco novo. Quilombo é o quarto álbum do sexteto criado e dirigido pelo pianista Julián Peralta, referência da música porteña atual. O novo disco, no entanto, é composto basicamente por murgas, mas ao estilo de Buenos Aires (diferente da uruguaia).

Em entrevista ao Fractura Expuesta, o bandoneonista Mariano González Calo explicou que o Astillero já havia realizado várias incursões por ritmos diferentes do tango – zamba e candombe uruguaio, por exemplo – e que a murga é o estilo em que se sentem mais confortáveis para seguir a estética do grupo. “Assim como sempre sustentamos que o tango é nossa forma de falar e de pensar, podemos dizer o mesmo da murga porteña, com a qual nos criamos e que sai das mesmas entranhas de onde alguma vez saiu o tango.”

Sem bombo ou platillo, “que está presente mesmo sem estar”, como explica o bandoneonista, os temas de Quilombo são murgas com a pegada Astillero, sonoridade muitas vezes áspera e violenta e diante da qual é impossível ficar indiferente. As onze composições do disco são originais (nove de Peralta e duas de Calo) e seus nomes homenageiam bairros ao sul de Buenos Aires, como Lugano, Pompeya e Barracas.

Abaixo, dá para ouvir o disco na íntegra.

O Astillero é um dos conjuntos que maior influência exerce no tango atual. Com uma trajetória de doze anos, representou um marco quando lançou, em 2006, seu disco de estreia, o primeiro entre os novos grupos que trazia apenas composições originais e não por acaso se chama Tango de Ruptura. Os outros discos são Sin descanso en Bratislava (2009) e Soundtrack Buenos Aires (2013).

Fundador do conjunto, Julián Peralta é um dos mais inquietos e inovadores músicos da cena porteña. Antes de fundar o Astillero, havia sido um dos criadores da Orquesta Típica Fernández Fierro, da qual era diretor e participou dos dois primeiros discos. Também é responsável pela Orquesta Típica Julián Peralta, que lançou Un disparo en la noche (Volume um e Volume dois), trabalho que reúne alguns dos principais compositores e letristas do tango contemporâneo e que é um verdadeiro tesouro para conhecer a música que atualmente é produzida em Buenos Aires.

Hoje professor da Escola de Música Popular de Avellaneda, quando adolescente Peralta era amante de rock, chegou ao piano pelo jazz e foi tecladista de cúmbia. O tango o esperava em uma fita cassete da orquestra de Anibal Troilo, comprada em um balaio de promoções para completar a terceira opção do famoso “Leve 3, pague 2”, e dali não se afastou mais.

Douglas Ceconello

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